O Contineralismo poetico - Um Manifesto á pergunta "O que é a arte?"

 

Uma definição é a descrição mais curta e mais abrangente de um determinado objecto (também na área das ideias). Essa
definição corresponde somente a esse objecto. Usando essa definição como receita, é possível produzir através da descrição o
objecto definido, e nada mais do que este mesmo.
Isso também funciona com a arte. Da seguinte maneira:
Arte = [é igual] ao resultado, que interage com um público-alvo, de uma vontade e poder criativos de indivíduos auto-confiantes.
A Arte surge apenas quando há uma interacção com os elementos existencia, publicidade, ciência, experiência,
personalidade
e terapia.

Com outras palavras: Uma pessoa (personalidade), que produz, demonstra ou realiza algo (existencia), com isso combina uma
razão verbalizada (propaganda), e esse algo é bem feito (ciência) e original (experiência), para actuar sobre um possível público
(terapia), faz, e obrigatoriamente: Arte. Quanto mais conhecida a pessoa, quanto mais perceptível o criado, quanto mais clara
a mensagem, quanto mais profissional a realização, quanto mais inovativo o conteúdo, quanto maior a duração do efeito, mais
precioso é o produto como arte.

O Contineralismo (continere, lat. = conteúdo, abrangimento) é o primeiro estilo, que se subordina sem compromissos ao conceito
arte no sentido da fórmula. „Contineralismo“ não significa mais do que o abrangimento de um conteúdo; significa riqueza de
pensamentos, possível de envolver e de verbalizar; significa substância tanto intencionada pelo criador como independentemente
acessível pelo observador.
Um Contineralista não se contenta com aprazível decorar, genial chocar ou com a virtual destreza. Um Contineralista compreende
isto apenas como condição, pressuposto e ingrediente, os quais, ao lado de outros ainda, fazem da obra dele finalmente arte.
Quem se reconhece como fazendo parte do Contineralismo, cria um limite para si e as suas obras contra puramente decorativa
fidelidade à Natureza ou igualmente contra puramente decorativa abstracção; contra todo o tipo de Agora-vou-encontrar-me-amim-
próprio!-pinceladas ou contra minimalista Este-ponto-consegue-dizer-tudo!-parvoíce.
O Contineralismo não é de forma alguma um novo estilo de arte, que abrange e descreve novas formas de arte. A única novidade
e - se o compreendermos - espectacularidade é: O Contineralismo é o primeiro estilo exclusivo, pois a „arte de um conteúdo“
reúne grandes partes tanto da arte dos antigos como dos novos mestres, tanto como do Surrealismo, do Expressionismo, do
Simbolismo, do Dadaísmo e de muitas outras correntes, sem admitir a proliferação no não-conteúdo, na pura decoração, mera
provocação ou pura importância abstracta.

No tempo do Contineralismo como uma arte explicável e inteligível haverá - tal como em todas as outras áreas da actividade
humana - bons e maus Contineralistas. Bons Contineralistas terão merecido o seu reconhecimento. Maus terão de se esforçar ou
procurar um novo trabalho. Já não é válido esconder-se da própria incompetência atrás de tagarelas diplomatas de arte!

E sendo assim, isto é para mim o Contineralismo Poético. Uma forma poética deve-se aninhar a um conteúdo poético, e eu
entendo poesia como harmonia; como guardado balanço entre ânsia e relaxo, entre excitação e meditação, entre claro e escuro,
entre calma e movimento. Pensar, representar e compor poemas serão as três bases da minha arte, do Contineralismo Poético.
No Contineralismo já é indispensável a linguagem como instrumento do pensar, mas no Contineralismo Poético essa linguagem
é transformada ainda numa forma de arte própria e visível. Opinião, leitura e linguagem devem aqui amadurecer, por um pensar,
pelo próprio pensar, em novas ideias e estímulos.
Na minha concepção de arte quero ser Contineralista; na realização de uma associação de pensamentos, imagens e linguagem
quero ser um Contineralista Poético.

Timo Dillner, Lagos, November 2011

 
www.timodillner.de